quinta-feira, novembro 16, 2017

LEITORES INCOMUNS

Cena do filme O Leitor (2008), de Stephen Daldry. A partir do romance homónimo de Bernhard Schlink.
 

sexta-feira, novembro 03, 2017

«É que isto de amores, tanto desabrocham em solitários de cristal por trás das vidraças como florescem bravos nos carrapiteiros, só a linguagem é que difere.» --- JOSÉ SARAMAGO, em Levantado do Chão, sobre o namoro de Faustina e João Mau-Tempo.
 


quarta-feira, novembro 01, 2017

O LEITOR INCOMUM *

Giovanni Boccaccio (1313-1375) por Andrea del Castagno (c. 1450)
 
No Decameron, de Boccaccio, «cem novelas que sete damas e três mancebos contaram em dez dias», é impossível não atentar no prefácio autoral e na conclusão da obra. No prefácio, a descrição realista da peste que grassou em Florença de Março a Julho de 1348, o seu cortejo de desgraças e a dissolução de costumes engendrada pelo espectro da morte massiva. É nesse clima de terror que se imbrica a ficção dos dez jovens que se fixam num palácio dos arredores da cidade e nele permanecem por dez dias contando histórias uns aos outros para passar o tempo e esquecer o perigo que os rodeia. O facto de estas sete mulheres da alta sociedade florentina serem solteiras e fazerem-se acompanhar, três delas, dos seus pretendentes, traduz um tipo de comportamento que desafia os princípios morais da sociedade ainda medieval. Na conclusão, o autor discorre sobre o conteúdo das histórias narradas. Dirigindo-se às leitoras, diz: «Algumas de vós dirão talvez que ao escrever as minhas histórias dei rédea solta à licença; que, por exemplo, fiz escutar e dizer às damas o que não é próprio para os ouvidos ou para a boca de uma mulher honesta.» Perguntando de seguida: «Mas serei eu mais culpado por tê-las escrito do que os homens e as mulheres que repetem durante todo o dia buraco e cavilha, pau e boceta, salsicha e mortadela, e todos buraco e cavilha, pau e boceta, salsicha e mortadela, e todas as locuções da mesma espécie?» A liberdade e o realismo narrativos das histórias configuram, em relação ao autor e segundo a introdução de Urbano Tavares Rodrigues (Círculo de Leitores), uma demonstração do seu «amor pela vida e o seu ideal de ventura na terra, tão oposto a toda a literatura teocrática medieval.»
 
* Título de um ensaio de George Steiner.
 
 


segunda-feira, outubro 30, 2017

TOPÓNIMOS

Para quem chega ao Conde-Barão, é tomar a Rua das Gaivotas e virar à direita para a Fernandes Tomás. O Beco do Caldeira surge logo acima, do lado direito: dois pares de casas sobre os prédios da Rua da Boavista e ao fundo a fita azul do Tejo. Fotografias de 29-10-2017, domingo tórrido.
 

sábado, outubro 28, 2017

FESTAS E FESTANÇAS


Em Cem Soldos, concelho de Tomar, já se prepara o madeiro do Natal. A festa promete.
= Fotos de 26-10-2017=

terça-feira, outubro 24, 2017

TOPÓNIMOS

O Beco do Quebra Costas fica nas costas da Sé e não é propriamente um beco, como se pode ver. O assombro das italianas numa tarde de verão tardio.
 

segunda-feira, outubro 23, 2017

PINACOTECA

Retrato do Beneficiado Faustino das Neves (c. 1670), de Josefa de Óbidos (Museu Municipal).
Há sobre esta pintura um longo e admirável poema de Ruy Belo:
(…)
Josefa de óbidos assustou-se porém pois podiam dizer a alguém /que pintar implica ao fim e ao cabo ter um pacto com o diabo /pois o diabo vivia nos dias de então vestia a toga da inquisição /e a pintora pensou deixar a pintura com medo da alma e da censura /Não existe decerto censura mas o gesto foi sábio porquanto existe o exame prévio /e se formos a pensar um bocado é realmente perigoso pintar um beneficiado/pois bem vistas as coisas o homem às vezes é vário muda de roupa deixa o breviário /sopram os ventos da história e modificam a forma de toda a matéria /e talvez tenha sido assim que faustino se pôs a pensar josefa que foste tu fazer    ---- RUY BELO, Toda a Terra.